O pesquisador usou como alvo uma especialista em segurança e seu diretor para o experimento
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Na hora seguinte, o pesquisador dedicou-se a requisitar a amizade de amigos diretos do diretor . De 436 pedidos, o perfil falso foi aceito por mais 14 pessoas – novamente, todas elas já tinham o perfil original em sua lista de contatos e adicionaram o clone. Em pouco mais de duas horas, o diretor aceitou o pedido de amizade do perfil que foi clonado por Novaes.
Esse fato seria crucial para que SecGirl também adicionasse o perfil clonado como amigo sete horas e meia após o início do experimento. A lógica é a seguinte: se aquele usuário tem tantos amigos em comum é porque você também deve conhecê-lo – ou, de certa forma, ele faz parte de seu círculo de amizade, não sendo um completo desconhecido. Sendo assim, você o acrescenta e ele acaba tendo acesso a informações que podem ser bloqueadas para outras pessoas.
“As pessoas simplesmente ignoraram a ameaça que pode ser adicionar algum perfil sem checar se é verdadeiro. Novas tecnologias sempre terão brechas de privacidade, mas são os usuários que têm de se atentar a esse tipo de falha. As redes sociais propiciam coisas fantásticas, mas a falha, antes de tudo, é humana. Privacidade é uma questão de responsabilidade social. Não existe solução. Solução é usar direito a rede e nós estamos sozinhos nessa tarefa”, disse Nelson Novaes ao UOL Tecnologia.
Foto 1 de 34 - O novo Facebook deve chegar na próxima quinta (29) para contar a sua vida, como em uma retrospectiva, mês a mês, do que você publicou na rede social nos últimos tempos. Privacidade zero? Nem tanto. A rede social também oferece ajustes para que você mantenha as informações que deseja longe dos bisbilhoteiros de perfis; veja a seguir algumas dicas para não se expor no Facebook
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Acredite: O Facebook sabe tudo (ou quase) sobre você Justin Sullivan/Getty Images/AFP
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O experimento também revelou o que Novaes classifica como uma falha grave de privacidade no Facebook. Segundo o pesquisador, a recente ferramenta “Ticker” (ainda limitada a alguns usuários), que exibe as atualizações dos contatos em tempo real no canto superior direito, mostra além do que o usuário gostaria de expor, como indícios de infidelidade. E essas informações não podem ser excluídas.
Para comprovar sua tese, Novaes criou três perfis ficcionais. Dois deles representavam um casal e o terceiro, um amigo em comum. O experimento, reproduzido em vídeo e divulgado no YouTube, mostra que, mesmo após a mulher ter optado por não mostrar as notificações de atualização a ninguém, nem mesmo ao cônjuge, o amigo em comum podia vê-las em tempo real no “Ticker” (o perfil do companheiro da moça ainda não possui o "Ticker" habilitado).
No exemplo, a moça prefere não mostrar ao companheiro que confirmou um pedido de amizade do ex-namorado, mas a informação acaba sendo revelada ao amigo em comum, que pode ver a confirmação no “Ticker”.
“Não sei se é uma falha ou se o Facebook fomenta isso propositalmente. O fato é que, ao criar uma conta na rede, o usuário está, automaticamente, concordando com os termos de compromisso. E as regras do jogo podem mudar a qualquer momento”, completa Novaes, referindo-se ao funcionamento do Facebook.
O pesquisador entrou em contato os administradores da rede social, mas não obteve resposta quanto ao funcionamento do “Ticker”.
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