quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Propagandas podem irritar usuários de redes sociais, diz pesquisa

Uma pesquisa realizada por uma consultoria de marcas afirma que o investimento pesado feito por algumas empresas para aparecer nas redes sociais pode ter um resultado inverso ao desejado.
Segundo dados da consultoria TNS, 57% dos consumidores analisados em mercados considerados desenvolvidos não querem se relacionar com marcas de empresas através das redes sociais. Nos Estados Unidos, esse percentual chega a 60%.
"Estratégias mal-orientadas estão gerando pilhas de lixo digital, desde páginas do Facebook sem amigos a blogs que ninguém lê", afirma o relatório da TNS.
A pesquisa sugere que grande parte das pessoas - 61% - comenta marcas de empresas nas suas contas de redes sociais apenas porque estão participando de algum tipo de promoção ou sorteio.
Emergentes
Segundo o levantamento, uma em cada quatro pessoas está disposta a comprar produtos por meio das redes sociais.
Nos mercados emergentes, de acordo com a pesquisa, os usuários estão ainda mais abertos à publicidade nas redes sociais.
O estudo afirma que em mercados que estão em alto crescimento - categoria na qual a TNS enquadra o Brasil - 59% dos consumidores disseram que as redes sociais podem ser o ambiente adequado para se aprender mais sobre marcas.
Os mercados emergentes ainda apresentam desafios de infraestrutura, no entanto. Quase metade das pessoas consultadas nesses países disse que usaria mais a internet caso o acesso fosse mais barato.

É possível ficar amigo de qualquer um no Facebook em até 24 horas, alerta especialista

A maioria das pessoas passou praticamente a vida toda cultivando as dezenas (quiçá centenas) de amizades que hoje compõem sua lista de contato no Facebook. Uma teoria, no entanto, coloca a premissa das redes sociais em permanente alerta: em menos de 24 horas é possível ser aceito como amigo de praticamente qualquer pessoa no Facebook.
Justin Sullivan/Getty Images/AFP
O pesquisador usou como alvo uma especialista em segurança e seu diretor para o experimento
A técnica não é usual e vai totalmente contra os termos de uso do Facebook, mas mostra com exatidão como os usuários podem ser manipuláveis. Para comprovar sua teoria, o pesquisador de segurança e comportamento online Nelson Novaes criou um experimento em que definiu como alvo de sua amizade no Facebook uma garota que trabalha justamente com segurança na web --  para o estudo, chamou-a de SecGirl. O objetivo do experimento era conseguir adicioná-la como amiga no Facebook em menos de 24 horas. O resultado veio antes do esperado: o especialista conseguiu adicioná-la a sua lista de contatos em sete horas e meia.

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Para aproximar-se de SecGirl, Novaes literalmente clonou o perfil de uma pessoa muito próxima à moça: seu diretor. Usando esse perfil clonado, Novaes passou a requisitar a amizade dos amigos de amigos do diretor. Em apenas uma hora, 24 dos 432 pedidos foram atendidos. O que chama atenção é que 96% das pessoas que aceitaram a solicitação de amizade já tinham o dono do perfil verdadeiro sua lista de amigos (ou seja: adicionaram a mesma pessoa duas vezes à lista sem desconfiar do perfil falso).
Na hora seguinte, o pesquisador dedicou-se a requisitar a amizade de amigos diretos do diretor . De 436 pedidos, o perfil falso foi aceito por mais 14 pessoas – novamente, todas elas já tinham o perfil original em sua lista de contatos e adicionaram o clone. Em pouco mais de duas horas, o diretor aceitou o pedido de amizade do perfil que foi clonado por Novaes.
Esse fato seria crucial para que SecGirl também adicionasse o perfil clonado como amigo sete horas e meia após o início do experimento. A lógica é a seguinte: se aquele usuário tem tantos amigos em comum é porque você também deve conhecê-lo – ou, de certa forma, ele faz parte de seu círculo de amizade, não sendo um completo desconhecido. Sendo assim, você o acrescenta e ele acaba tendo acesso a informações que podem ser bloqueadas para outras pessoas.
“As pessoas simplesmente ignoraram a ameaça que pode ser adicionar algum perfil sem checar se é verdadeiro. Novas tecnologias sempre terão brechas de privacidade, mas são os usuários que têm de se atentar a esse tipo de falha. As redes sociais propiciam coisas fantásticas, mas a falha, antes de tudo, é humana. Privacidade é uma questão de responsabilidade social. Não existe solução. Solução é usar direito a rede e nós estamos sozinhos nessa tarefa”, disse Nelson Novaes ao UOL Tecnologia.
Foto 1 de 34 - O novo Facebook deve chegar na próxima quinta (29) para contar a sua vida, como em uma retrospectiva, mês a mês, do que você publicou na rede social nos últimos tempos. Privacidade zero? Nem tanto. A rede social também oferece ajustes para que você mantenha as informações que deseja longe dos bisbilhoteiros de perfis; veja a seguir algumas dicas para não se expor no Facebook

Veja também: UOL Tecnologia discute a polêmica sobre mudanças no Facebook
Acredite: O Facebook sabe tudo (ou quase) sobre você Justin Sullivan/Getty Images/AFP
Facebook e infidelidade
O experimento também revelou o que Novaes classifica como uma falha grave de privacidade no Facebook. Segundo o pesquisador, a recente ferramenta “Ticker” (ainda limitada a alguns usuários), que exibe as atualizações dos contatos em tempo real no canto superior direito, mostra além do que o usuário gostaria de expor, como indícios de infidelidade. E essas informações não podem ser excluídas.
Para comprovar sua tese, Novaes criou três perfis ficcionais. Dois deles representavam um casal e o terceiro, um amigo em comum. O experimento, reproduzido em vídeo e divulgado no YouTube, mostra que, mesmo após a mulher ter optado por não mostrar as notificações de atualização a ninguém, nem mesmo ao cônjuge, o amigo em comum podia vê-las em tempo real no “Ticker” (o perfil do companheiro da moça ainda não possui o "Ticker" habilitado).
No exemplo, a moça prefere não mostrar ao companheiro que confirmou um pedido de amizade do ex-namorado, mas a informação acaba sendo revelada ao amigo em comum, que pode ver a confirmação no “Ticker”.
“Não sei se é uma falha ou se o Facebook fomenta isso propositalmente. O fato é que, ao criar uma conta na rede, o usuário está, automaticamente, concordando com os termos de compromisso. E as regras do jogo podem mudar a qualquer momento”, completa Novaes, referindo-se ao funcionamento do Facebook.
O pesquisador entrou em contato os administradores da rede social, mas não obteve resposta quanto ao funcionamento do “Ticker”.